História

A ORDEM DO SEMIDEUS

Faras, Semideus, filho do Deus da Guerra, da Ordem e da Força, ordenou seu pequeno séquito que expandisse sua influência através do continente. E assim eles o tem feito.

A origem de Faras é incerta, mas contam as lendas que ele nasceu no deserto, em um vilarejo pobre e recluso. Faras teria sido o líder de seu povo até receber de seu Pai Divino a iluminação. Teria então se perdido no deserto durante cem anos.
Quando retornou, ninguém o conhecia. Os anciãos reconheceram nele os traços físicos de seu povo e quando ele contou sua história, asseguraram que falava a verdade. Ele era o filho perdido, agora retornado em forma de Deus.
O povo do deserto cresceu sob os cuidados de Faras e sua civilização ganhou espaço no mundo.

Faras é uma Divindade Menor Leal e Neutra, assim como um Semi-Deus.
Seus Domínios são a Ordem e a Guerra.
Seu símbolo é um brasão retangular com duas espadas bastardas cruzando-se no centro-baixo, com um elmo coroado na parte superior.
Suas armas favoritas são a espada bastarda e o martelo de batalha.
Ele estima os artesãos (ferreiros, armeiros e armoreiros principalmente), os caçadores e tem predileção por soldados de qualquer hierarquia.
Seus seguidores se dividem em castas clericais e militares.

 

A reencarnação de Faras é o marco no calendário farasino, ocorre a cada 180 anos. O Deus então passa a habitar o corpo de um humano adulto, normalmente um de seus servos mais fervorosos. As memórias do hospedeiro desaparecem e, em todos os aspectos, ele torna-se a divindade.
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A Era da Expansão ocorreu a partir da Ordem, marcada como ano 1 da 1ª Encarnação (houve outras antes desta, mas registra-se assim) e termina com o início da Era da Prosperidade, em 30 da 2ª Encarnação (210 anos mais tarde).

Os farasinos expandiram seu território, dominaram os impérios vizinhos e asseguraram sua soberania através da força e perseguição às outras crenças. As outras divindades têm pouca influência nos territórios farasinos, podendo intervir pouco ou nada na vida de seus seguidores. Praticamente não há clérigos ou paladinos.
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Durante a Era da Prosperidade, o povo de Faras cresceu e enriqueceu graças aos cuidados de seu Deus. Em 12 da 3ª Encarnação, Faras decreta uma nova expansão. Dessa vez, os farasinos rumariam ao sul, para além dos limites áridos de sua terra. Cruzariam o grande Rio Pelgras e disseminariam seu Dogma Sagrado e suas práticas religiosas nas terras estrangeiras.

Assim os farasinos fundaram uma ordem de missionários pregadores. Monges sábios e benevolentes, capazes de inspirar uma população inteira com os favores de seu Deus. A presença de Faras em carne e osso na terra sagrada deu início a primeira das muitas peregrinações dos povos sulistas através do rio e do deserto, em busca de iluminação.

Ao final de sua vida mortal, em 58 da 3ª Encarnação, Faras declarou-se insatisfeito com a lenta expansão de sua fé nos territórios sulistas. Criou então um sistema de Castas que melhor o representariam durante sua ausência terrena, nomeando seu primeiro Sacerdote-mor e uma ordem inteira de Clérigos que espalhariam sua palavra (mesmo através da força).
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Em 71 da 3ª Encarnação, a Sagrada Ordem de Faras começa a invadir o sul. Algumas regiões foram tomadas rapidamente, onde sua influência já era grande e a maior parte da população já havia sido convertida. Com a tomada das primeiras cidades, o Santo Exército Farasino tinha sofrido poucas baixas, mas havia ganho um número massivo de soldados convertidos.
A campanha estendeu-se por uma década até a tomada de metade das cidades sulistas, incluindo cidades importantes para o Império, seja no fornecimento de suprimentos ou de tropas. Mas por fim, o Império conseguiu organizar suas medidas defensivas e o avanço farasino foi freado.
A guerra foi mais sangrenta a partir daí.
Enquanto os sulistas contavam com seus arcanistas (inexistentes no exército farasino), os sacerdotes treinavam caçadores especializados em enfrentar os conjuradores hereges.
Os Arqueiros Imperiais foram abatidos pela maestria dos Besteiros Farasinos.
As tropas sulistas eram mais numerosas no começo, mas os extremistas religiosos lutavam sem medo de morrer, pois virariam mártires e viveriam ao lado de seu Deus.
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Em 100 da 3ª Encarnação, cansados da incessante guerra, os líderes das duas facções assinaram um tratado assegurando a paz por 50 anos. Era um acordo vantajoso para ambos os lados: os farasinos teriam tempo para se estabelecer nos territórios conquistados, treinar soldados e exercer sua fé, enquanto os sulistas curavam suas feridas e traçavam estratégias para virar o rumo da guerra.

O Tratado dos 50 Anos foi respeitado rigorosamente por ambos os lados. O comércio até voltou, tímido, entre as cidades fronteiriças. As novas gerações cresceram em uma época de paz, enquanto os mais velhos se preparavam para o retorno do tilintar de ferro e gritos de horror que viriam.

Ao contrário do que se temia, a guerra não retornou imediatamente. Os então líderes das facções se encontraram em assembleia e – dizem os presentes – até gostaram de conhecer-se. A guerra era sua herança maldita. Ambos estavam satisfeitos com a situação pacífica e assinaram um termo de prorrogação da trégua, por tempo indeterminado. Os farasinos teriam liberdade para enviar missões religiosas para o território do Império e em troca permitiria a liberdade religiosa em seus territórios.
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Faras retornou 30 anos depois.
O ano 1 da 4ª Encarnação foi marcado pela Ira de Faras.
O Deus odiou ter hereges vivendo entre seu povo, até então puro. Pessoalmente substituiu os membros do Alto Clero Regular por membros que escolhera cuidadosamente.
Cancelou o Acordo de Paz, declarou Guerra Santa e liderou pela primeira vez seus exércitos em batalha.

“No sétimo ano de minha quarta encarnação, eu tomarei o coração de meu inimigo.” - Proclamou Faras, predizendo o que de fato faria.



A Capital do Império Sulista caiu nas mãos de Faras – o Deus-General – em 7 da 4ª Encarnação. As cidades vizinhas renderam-se facilmente depois disso. Apenas as localizadas no extremo sul ou a leste, perto dos territórios menos civilizados, mantém o status de Territórios Livres – Cidades-estado independentes, com governos próprios desde a queda de seu imperador.

Dentro dos territórios conquistados ainda há quem lute contra a tirania do Deus-General.
Os relatos a seguir são de origem desconhecida, mas sua veracidade pode ser comprovada. Os eventos narrados se passam durante os anos posteriores a queda da Capital, durante o período conhecido extraoficialmente como Era da Resistência.

Essa versão da História é refutada pelos sacerdotes. Qualquer um que a reproduza publicamente será condenado a fogueira.



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